quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Resenha Livros: A Trama do Casamento (Jeffrey Eugenides)


Nem bom, nem ruim, mas absolutamente decepcionante.


Depois de surpreender o mundo com o romance-novela “As Virgens Suicidas”, lançado em 1993, e ganhar o prêmio Pulitzer, apenas dez anos depois, com seu segundo romance, “Middlesex" , o escritor estadunidense, Jeffrey Eugenides, parece ter perdido a mão. Confesso que ainda não li o aclamado “Middlesex”, mas depois de “As Virgens Suicidas” Jeffrey estava entre meus queridinhos, certamente um forte candidato ao seleto grupo de autores às “releituras”. Acham que me precipitei ao julgá-lo com base em apenas uma obra? Pode ser ... mas, honestamente, quem já leu o primeiro livro do autor sabe que ele merecia essa canjinha de galinha, né? (e quem ainda não leu, por favor: corra! Agarre seu exemplar e devore-o, depois me agradeça pela dica que mudará sua vida hihihihihi).  

O terceiro romance de Eugenides, “A Trama do Casamento”, publicado pela Companhia das Letras, é um livro nhe, sabe como? Não é completamente ruim, mas está longe do que se espera de um ganhador do Pulitzer (maldita seja a expectativa baseada na ‘fama’ do dito cujo). Se me pedissem para definir a obra em uma única palavra, optaria por previsível. Do título ao ponto final, a obra se arrasta entre personagens desinteressantes e desenvolvimento a la “música sertaneja” (àquele em que você pode prever as palavras que seguirão).

Para dar um resume breve, posso dizer (sem spoilers)  que “A Trama do Casamento” narra os dilemas pós-adolescência-e-pré-vida-adulta de Madeleine Hanna, uma jovem meio insossa (pra não dizer chata) que se forma em letras na Brown University. O trabalho final (TCC) da letrada mocinha de Eugenides é focado nos romances românticos, estilo Jane Austen (heroína – conflito – casamento – fim).  Fica claro, portanto, desde o princípio que a obra de Eugenides é uma reciclagem das narrativas românticas, uma versão oitentista dos romances de Austen e cia. Como tal, a obra nos apresenta uma trama que gira em torno do coração da jovem Hanna e das dúvidas que ele impõe à moça ao insistir em balançar entre dois colegas de personalidades bastante distintas. O primeiro é o cara boa-praça, Mitchell Grammaticus, um descendente de gregos que está em busca de Deus e de um contato mais profundo com o universo místico. Eu diria que ele é o amigo colorido (meio empastelado) que não cansa de ser pisoteado pela mocinha. Já o segundo, Leonard Bankhead, é o personagem mais interessante da obra, um rapaz meio amalucado, mas, ao mesmo tempo, intelectualmente brilhante e profundamente vaidoso (as más línguas garantem que Eugenides representou descaradamente o escritor David Foster Wallace através de Bankhed, eu não de nada ...).

Deixando as fofocas de lado, preciso dizer que o livro não me cativou. A escrita de Jeffrey parece ter perdido fôlego, a obra é sufocada por um desenvolvimento arrastado, histórias paralelas irrelevantes, uma trama cansativa e surpreendentemente óbvia – daquelas que você pensa: mas é só isso mesmo??? (e a resposta é um sonoro: SIM, É SIM). Não sei o que pode ter acontecido com o autor do empolgante “As Virgens Suicidas”, mas posso lhes garantir que não encontrarão marcas suas na narrativa de “A Trama do Casamento”. Espero que ele esteja em um breve lapso criativo e logo volte a nos empolgar. Preciso muito de novos autores para futuras velhas (re)leituras.

Ficou na dúvida, ainda? leia um trecho do livro e tire suas próprias conclusões se vale ou não a leitura.

Título Original: The Marriage Plot
Tradução: Caetano Waldrigues Galindo

Dedicação: 440 páginas
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Companhia das Letras


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