sábado, 13 de dezembro de 2014

Até quando o silêncio dos bons ecoará o grito dos maus?


Jair Bolsonaro.                                                                                                                                       Fonte: Google Imagem 
Quero pedir desculpa aos pequenos brasileiros, meninas e meninos, desculpa por cada omissão por educação, por cada silêncio diante da ignorância, por cada respiração calada ante à intolerância e arrogância daqueles que, há tanto, bradam seu ódio por aí. Sinto muito, sinto de verdade. Aceito minha parcela de culpa e lamento por ter desistido da luta antes da guerra acabar. O incansável Martin Luther King expressou, certa vez, que o quê o preocupava não eram os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons. É isso. O silêncio dos bons permitiu que os gritos do deputado do PP, Jair Bolsonaro, ecoassem livremente em nosso parlamento, a manutenção desse silêncio pode garantir que ele permaneça onde está, amplificando seus brados cheios de ódio e vazios de razão. 

Início da desavença entre Bolsonaro e Maria do Rosário que originou a primeira ação criminosa do deputado.
Fonte Google Imagens 
Não cometerei o mesmo erro, não aceitarei mais calada que um discurso criminoso, seja ele qual for, passe ileso por meus lábios após percorrer meus ouvidos sensíveis à truculência dos preconceituosos, sexistas e homofóbicos. Estou em dívida com os filhos que ainda não tenho, com os filhos que minhas amigas acabaram de ter, com meus afilhados, que pouco entendem o ódio que buscam semear em suas mentes. Sinto, sinto tanto que a nova geração tenha que assistir ao espetáculo anacrônico de um fascista que mal consegue esconder seu desprezo absoluto pela democracia, pelos direitos humanos, pelos ideais de igualdade, fraternidade e liberdade que norteiam o espírito dos bons de nosso tempo. Prefiro crer que o nada nobre deputado não compreende a imensidão da própria ignorância. De qualquer forma, ele precisa responder pela ação criminosa cometida ao vivo e sem nenhum pudor. 

Não me perdoarei jamais por assistir atônita a mais esta cena protagonizada por Bolsonaro, não me perdoo por saber que meu silêncio amplificou a voz desse disseminador atroz dos discursos que deveriam ter sido sepultados junto às atrocidades da segunda guerra, dos regimes militares e dos governos absolutistas. Mas meu silêncio será quebrado, farei isso sem cessar, prometo. Me comprometo a não deixar que o brado dos maus ecoe sem contraponto. Faço isso, em especial, pelas meninas de hoje. Não é aceitável que mais uma geração de mulheres passe pelo que eu e muitas, se não todas, de minhas amigas tiveram que passar. 

Deputada Maria do Rosário.                                                                                                                  Fonte: Google Imagens
Por quanto tempo permitiremos que o discurso que oprime e “coisifica” a mulher se perpetue? Até quando aceitaremos as piadas sexistas? O humor (sem qualquer gosto) que disfarça a disseminação dos mais variados preconceitos? Estas, meus caros, são velhas armas usadas à manutenção da desigualdade entre os sexos. Estas são as fontes das feridas que latejam nas mulheres da minha geração e das que a precederam. 

 Calar diante do abominável é dar aval para que as jovens de hoje continuem sendo molestadas pelos amigos de seus pais, que continuem sendo abusadas por namorados, por amigos e/ou por adultos que deveriam protegê-las. Compreender o discurso criminoso do deputado como uma “expressão infeliz”, ou pior, como uma “opinião”, é, sem dúvida, corroborar o comportamento abusivo dos homens que acreditam que as mulheres são objetos que existem apenas para entretê-los, servi-los. 

A perspectiva de Bolsonaro e seus seguidores é a origem dos assombrosos números da violência contra a mulher: a cada 25 segundos uma mulher é violentada, a cada 25 segundos uma vida e um universo de sonhos se desfaz. E o que é ainda mais cruel nesse discurso ultrapassado e machista é que ele SEMPRE responsabiliza a vítima pela violência sofrida. 

A menina que é “agarrada” em uma festa, tendo seu corpo e/ou sua vontade violados, ainda é submetida à incontáveis condenações/agressões como, por exemplo, insinuações dos pais, dos amigos ou mesmo das amigas, de que seu descuido na escolha do decote ou do comprimento da saia pode ter sido o motivo da “impertinência” masculina. Até quando?

 Quantas jovens serão oprimidas e sufocadas pelo machismo? Quantas vezes mais terei de viver a degradante experiência de ouvir uma mulher acusando outra mulher dos maiores absurdos por culpá-la pelo comportamento “desviante” de seu pobre e “enfeitiçado” marido que “não tem culpa do descarado”oferecimento feminino. O coitado resistiu até onde é humanamente possível, mas sabe como é homem, né?”.

Repercussão do discurso de Bolsonaro, um de seus simpatizantes declarou que "queria fazer graça" ao publicar a foto com mensagem violenta e criminosa. 
Por quanto tempo deixaremos que nossas meninas culpem-se pelos olhares desrespeitosos lançados por homens que acreditam ter direito a analisar e julgar o corpo feminino como fazem com os objetos disponíveis ao consumo em um mercado qualquer? Quantas meninas mais ficarão apavoradas enquanto as pessoas que deveriam defendê-las as fazem sentir nojo de si próprias e vergonha do próprio corpo por identificarem nele a origem de toda má ação dos homens que as machucam, ameaçam e amedrontam. 

 Se depender do meu silêncio, posso jurar, mais nenhuma.  


#ForaBolsonaro


2 comentários:

Priscilla Luiz disse...

Excelente texto. Representa perfeitamente como me sinto diante desta realidade.

Oskar Glauber disse...


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