quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Nostalgia: discurso para o casamento da década (Laris&Renard)!



Queridos convidados e amados noivos,

Antes de torturarmos vocês com este discurso desalinhado que não conta com a autoria graciosa de um Vinícius de Moraes ou com a necessária profundidade de uma Clarice Lispector, gostaríamos de, diante de todos, nos declaramos inocentes! Sim, isso mesmo. Usualmente costumam nos chamar de testemunhas, mas garantimos, com leveza que apenas a inocência permite, que não temos nada a ver com essa “contravenção pós-moderna” protagonizada por esse rebelde casal que, gentilmente, nos recebe e ainda paga nossa janta.

Tendo nos inocentando de uma possível acusação indevida, ressaltamos o fato de que, antes de sermos madrinhas e padrinhos, éramos apenas os amigos da Larissa ou do Renard. Como tais, senhoras e senhores, participamos de muitas conversas nas quais compartilhamos advertências importantes sobre os efeitos nocivos da vida conjugal. Por anos falamos do casamento como uma epidemia para a qual nossa geração havia sido imunizada ... e toda essa discussão recheada das convicções típicas de nossos tidos espíritos revolucionários, só acabou nos trazendo até aqui ... surpresa? Não, nenhuma. Porque não? tentaremos explicar ...

Certa vez, alguém escreveu que: “existe o certo, o errado e todo o resto”. Essa frase é atemporal, vale para qualquer geração que se encontre representada aqui. Somos educados para distinguir o que é certo do que é errado baseados no conjunto de convenções sociais que regra nosso tempo. Despendemos muitos anos de vida na aprendizagem desses valores e quando, finalmente, nos consideramos maduros e preparados, percebemos que nada disso importa. O que realmente importa é o além disso, éTODO O RESTO.

Alguém mais impaciente deve estar se perguntando que“resto” é esse, afinal? O “resto”, queridos convidados, é tudo aquilo que a palavra não alcança, tudo aquilo que não pode ser ensinado, tudo aquilo que é instintivo e essencialmente humano. “Todo resto” é o desejo, a emoção, a paixão desmedida, o amor, o indefinível, o inexplicável. “Todo resto” é a essência humana que não se altera, é aquilo nos aproxima - negligenciando qualquer diferença de época, educação ou cultura. Ora, esse “resto” é toda expressão sensível da alma que nunca, em qualquer tempo, se dispõe a racionalizar. 

Para todo resto não existe gerações, não existem valores ... existe apenas o pulso, a vontade de ir além da sobrevivência e experimentar a vida! É certo que celebrar uma união não é a cara da contemporaneidade? Sim, é. Mas e daí? Que importância isso pode assumir diante de “todo aquele resto” que lateja para declararmos nosso amor pelo outro, para simbolizarmos nosso estado de encantamento através flores, vestidos e promessas. A felicidade que os amantes encontram “em todo o resto” assume uma dimensão tal que precisa ser dividida, seja na época que for.

Se é através do certo e do errado que somos algemados e limitados,  o “todo resto” é aquilo que nos liberta de qualquer determinação ... Ninguém ensinou a Larissa a amar o Renard, ninguém determinou que o Renard deveria amar a Larissa, ninguém ordenou que se casassem ... isso é obra daquele todo o resto que a vida reserva a quem se arrisca a amar, é o algo humano que nunca poderá ser verbalizado nem evitado, é o eterno insensato que, estranhamente, acaba desvelando o sentido de tudo.

Ora, se é assim, então “todo resto” é o que faz nossa existência valer a pena, é ele que dá cor e luz à nossa obra. Experimentar “todo o resto da vida” é a própria revolução de si.  Quando assistimos hoje as juras desse lindo casal, não vimos a materialização do “certo” ou do “errado”, daquilo que deveria ou não acontecer. O que vimos, senhora e senhores, é o ato corajoso de dois jovens que abriram mão da segurança de si e de seus valores para se lançarem ao outro ... para viverem, juntos, “todo o resto”.

Jamais saberemos o que realmente uniu estas duas pessoas, eles, provavelmente, também nunca conseguirão explicar. Não é possível determinar quando a vida abre espaço para“todo o resto”, mas sabemos que é a partir daí que os sonhos ganham forma e que a vida passa a valer a pena. Por isso, propomos que esse casamento não seja celebrado como um simples contrato firmado, mas sim como uma revolução cujo ideal é apenas a busca por “resto”silencioso que faz o corpo vibrar, os olhos se iluminarem e o coração disparar. Se iniciamos este discurso negligenciando o papel de testemunhas, assumimos neste momento o posto de cúmplices ... nós, padrinhos e madrinhas, declaramos que estaremos com vocês para, nos inevitáveis momentos de dificuldade, lembrá-los que sempre vale a pena esquecer o certo ou o errado quando o que está em jogo é “todo resto” que lhe faz sentir vivo.
Para não nos tornarmos enfadonhos, pedimos licença aos convidados para encerramos nos dirigindo apenas aos noivos.

Amados amigos,

Não teríamos palavras para expressarmos nossa gratidão pelos anos de amizade, de carinho, de cumplicidade. Não há como descrever a honra de estarmos aqui. Acompanhamos todo desenrolar deste encontro que celebramos hoje, vimos os primeiros olhares apaixonados, escutamos as histórias do primeiro encontro, da primeira briga, da primeira reconciliação ... torcemos junto, sofremos junto e, hoje, nos emocionamos junto ao percebermos que vocês nunca abrirão mão daquilo que acreditam. Poucos são os casais que podem dizer que fizeram a relação valer a pena e, nos enche de orgulho, constatar que vocês fizeram.

Se antes amávamos a Larissa e o Renard, hoje amamos também o casal. Não há como não se contagiar com esse ar de romance, com os sorrisos despropositados e com as declarações inusitadas no meio de uma conversa trivial. Por tudo e por nada, pelos detalhes mais imprecisos que a palavra não percebe, tudo que podemos dizer é que vocês são um casal completamente APAIXONANTE!  E, ao mesmo tempo, pessoas singulares que  nos encantam pela força, pelo caráter, pelos sorrisos e pela autenticidade.

Desejamos que, daqui pra frente, vocês mantenham suas almas vívidas, dizem que isso é tudo que precisamos no decorrer dos anos. Tomando a liberdade para mais alguns “pitacos” à vida conjugal: como amigos e guardiões desse amor, pedimos que evitem, o quanto puderem, a ideia de se tornarem “um só”, preservem o espaço do outro para que as surpresas não desapareçam e para que as alegrias se multipliquem; não se preocupem demais em como dizem que deve ser um marido ou uma esposa, sejam apenas a Uli e o XXX porque já está provado que isso dá mais do que certo; não caiam no conto do “até que a morte nos separe”, continuem agindo como um casal de namorados apaixonados porque só isso garantirá que vocês queiram se casar mil vezes um com o outro. Por fim, jamais deixem escapar esse espírito contraventor de quem faz tudo que é preciso para ser feliz no hoje, no agora, e de acordo com as próprias regras! Mantenham-se firmes na autoria da própria história e, temos certeza, que assim garantirão o mais belo dos finais felizes:  o “... eles foram felizes para sempre!”.

Sem mais demora, pedimos agora que todos os convidados se unam em um brinde para celebrarmos nosso casal preferido e  “todo o resto” que a vida ainda lhes reserva!

2 comentários:

Larissa Lauffer disse...

Momento perfeito... ai ai (suspiros de verdade), hehe, sempre que lembro de como esse dia foi especial e as palavras de vocês, inspiradoras, me emociono. Obrigada por me lembrar mais uma vez, amiga querida!

Larissa Lauffer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.