domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz "qualquer" Natal! (da série: sou rabugenta e nem tenho 30)

 Nada pode ser melhor p/ retornar ao convívio do velho hábito de escrever do que um assunto igualmente antigo, velho, desgastado e explorado tantas vezes por aqui, o saudosismo e seus seguidores (termo que parece contemporâneo demais dada a natureza empoeirada do tema). A escolha justifica-se pelo motivo mais óbvio, esse assunto tem sido, mais uma vez, a origem mais evidente de meu incômodo na garganta, do silêncio que grita e me impede de dormir.
 
Festas de fim de ano são, ao que me parece, o período mais favorável à reprodução dessa espécie que, para minha tristeza, não apresenta qualquer indício de estar próxima da extinção. Seja qual for o motivo, o fato é que, especialmente, no Natal não apenas luzes se acendem, também brilham as frases feitas e as lamúrias daqueles que não se cansam de viver no limbo do ontem, do tempo imaginado na terra chamada “no meu tempo” – um lugar vazio de bom-senso e repleto de lamentações ... os saudosistas e seus discursos outra vez me levam a desabafar ...

Eu gosto de modo especial de suas lamúrias acerca do sentido perdido do Natal ... do que afinal estão falando?! Por acaso o “sentido” do Natal foi, em algum remoto tempo, reunir pessoas para comemorar o aniversário de um suposto messias que nasceu há mais de dois mil anos e cuja história de vida tem sido fonte de controvérsia, guerras e massacres que superam em numero de homens mortos qualquer conflito de cunho não religioso? Note que não pretendo aqui prestar qualquer crítica velada ao cristianismo e suas manifestações religiosas, minha indignação é com a perseguição dos saudosistas ao “Papai Noel” e ao caráter humanístico de uma data com significados tão controversos como só a alma humana pode ser – o quê, cá entre nós, parece maravilhoso!

Saudosistas costumam ser um tanto irracionais em seus devaneios sobre o tempo que se negam a viver ... hoje, o Natal é sim uma data mágica com significados diversos, mas essa diversidade é quase uma metáfora da riqueza do mosaico humano, das suas culturas e das suas formas de sorrir. Como pode alguém reivindicar ser o detentor do sentido de um dia que é, atualmente,  marcado pela união entre diferentes, pela troca de afeto e pelo empenho humano para dar o melhor de si àqueles que, por vezes, passou 364 dias sem notar a existência?... Seja através de um presente, seja através de um sorriso (sincero ou não) ou, quem sabe, por meio de uma oração, as pessoas buscam estabelecer uma conexão com o outro, abrem uma porta dentro de si para que laços sejam estabelecidos, mantidos, reforçados, criados ... o quê poderia ser mais sensacional do que isso???

Se, conforme dizem, o Natal foi apropriado pela esfera publicitária, tornando-se uma data essencialmente comercial, honestamente, não vejo problema algum ... Os marqueteiros fizeram um trabalho e tanto!!! Com genialidade o Natal foi transformado em um período esperado por crianças e adultos no mundo inteiro, pessoas esperam durante um ano para reunirem suas famílias por uma única noite, crianças procuram ser “boazinhas” para terem direito aos esperados subornos =) do bom velhinho, desafetos trocam sorrisos e presentes, as casas se iluminam e as cidades tornam-se constelações maravilhosas ... até mesmos os saudosistas ganham um ar romântico e um pacote embaixo da árvore dado por aqueles que acusam não possuir o “verdadeiro” espírito natalino ... Ao que me parece, o Natal é sim uma data mágica que consegue despertar em muitas pessoas o desejo genuíno de se tornarem seres humanos melhores, mesmo que seja por uma única noite ou por meio de um gesto isolado inspirado por um comercial qualquer ... se alguém pretende que nós sejamos inspirados ou levados a alcançar mais do isso é bom que acredite em Papai Noel, pois só mesmo ele será capaz de realizar tamanho milagre!!!

Seja lá o que Natal significa à sua vida, desejo que na noite do dia 25 você esteja o mais próximo possível daquilo que considera o melhor de si e que distribua seus mais valiosos sentimentos àqueles que mais lhe são caros!


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