segunda-feira, 15 de junho de 2009

Despedida

Naquela tarde a menina reapareceu e irrompeu pelos longos corredores com o ímpeto reservado apenas às almas ingênuas. Suas pequenas pernas eram tão ágeis que pareciam imperceptíveis aos olhos cansados. Suas tranças  eram de um castanho vivo e seus lábios de um rosa segredo, eles sorriam suavemente enquanto aguardavam o momento exato.

Consigo a pequena trazia apenas um vestido, uma peça de tecido simples que usara, mas que, naquele momento, precisava entregar a alguém.

Assim que o fez ela se foi, seus olhos luminosos deixaram para trás somente o silêncio e um aparente vazio. Atrás dela alguns rostos familiares sentiam a dor furiosa da impotência humana perante a leveza ruidosa do eterno adeus.

Às 16:15 daquela tarde ensolarada, duas meninas partiram rumo ao invisível usando seus velhos vestidos, suas mãos estavam dadas e seus rostos expressavam uma felicidade típica aos reencontros.

Na tarde seguinte começou a chover ... na casa da minha avó tudo que encontrei foi ausência. 

Um comentário:

Lucas Lima disse...

despedidas sempre são tristes, mas nem sempre poéticas como a da tua escrita, rs
bons dias