quarta-feira, 15 de abril de 2009

Janela


Minha janela enquadra a paisagem móvel do dia-a-dia. Os carros passam sem contar suas histórias, participam de um momento único, tornam-se pinceladas em uma tela mutante, um retrato efêmero do movimento incessante que orienta a vida. Esta senhora que permanece lá fora.

Aqui dentro, tudo que vejo são estantes entulhadas de tudo aquilo que deveria saber e não sei. O relógio na parede marca o tempo que já não tenho e as caixas espalhadas guardam restos de sonhos adiados, de tempos de um passado tão distante que já não pertence a mim. Permaneço assim, imóvel, observando através da transparência ofuscante, buscando proteção nos milímetros que me separam da fugacidade do que está além.

A travessia entre o cá e o lá pode ser mínima, mas a dor do ato é imensa. É preciso coragem para assumir a própria transitoriedade, a sua pequenez diante da aquarela que te prende e te apaga, do seu tudo que lá não é nada. O que persiste é apenas o movimento que te leva, que descolore ... a janela distante se fecha e quando volta a abrir revela uma nova paisagem da qual já não faço mais parte.

5 comentários:

FABIH CALDAS disse...

inquietante. e eu na aqui, na imobilidade dos meus comentarios previseis como a sinaleira que vai do verde para o amarelo e do amarelo para o vermelho, compartilhando cada virgula das tuas sentencas, sentenciadas. Eu, re, com cara de vitma de um tempo passado, dos sonhos adiados e de um futuro inquientante. sim, de novo. culpa tua que me inquietas..

Antônio Carvalhal disse...

Porra...acordaram inspiradas hein! Vou fazer um texto sobre portas...discriminação com as portas. Melhor! Um versinho!

Porta

Porta que deixa entrar
Porta que deixa sair
Porta que bate com o vento
Porta que se abre pra tí

Porta, portinha, portão
Porta de um casarão
Porta de uma casinha
Porta do meu coração

Entrem, saiam, passem
Mas nunca me deixem parada
Porta que nasce da árvore
Nasce para ser usada

Verso de porta acabei
Se ficou bom eu não sei
Ao menos no blog da minha amiga
Entrei, lí e postei.

Jéssica Britto disse...

Estantes entulhadas de tudo que não sei... pq isso é ão real? Pq qto mais a gnt tenta aprender, mais a gnt esquece. É mta informação para um corpo só, e todo mundo sabe, mas mesmo assim a gnt se cobra tanto.
é bichinho... os períodos de transição, e esta vida adulta estão aí para nos fazer pensar.. talvez, uma mudança de ares faria tudo diferente e te faria bem. Mas como tu dizes é preciso coragem, vai e enfrenta. Teus amigos estão sempre aqui!
Bjo, bj!

Dri Viaro disse...

Oi, to passando pra conhecer seu blog, bjs boa semana

aguardo sua visita :)

Dri Viaro disse...

vim desejar otimo dia
bjs