segunda-feira, 24 de março de 2008

Saudade ...


Gostaria de voltar aos cinco anos, não aos últimos, mas aos primeiros ... aos primeiros cinco anos de minha vida ... Não que as coisas não estejam bem, nada disso, mas existe uma essência que é desperdiçada ou que perdemos ao longo do tempo. Existe uma visão de mundo que esquecemos, na verdade os anos vão nos cegando pouco a pouco, vão encobrindo e apagando o real brilho de nossa existência.


Eu sinto inveja dos pequenos seres que rodeiam os parques aos pulos, correndo sem pressa, escorregando sem receio de cair ... sinto inveja e saudade ... saudade de respirar o ar da infância. Se eu pudesse faria a ampulheta parar de escoar, faria os grãos voarem voltando a sua origem, brincaria de faz conta e apagaria tudo que aprendi. Não acredito que os dias nos deixem mais fortes, continuo com os mesmos medos ... o tempo só me mostrou como escondê-los, aprendi a disfarçá-los, descobri como mentir para alcançar benefícios e me proteger do resto do mundo.


Eu sinto falta do ser humano que era aos cinco anos, sinto falta da espontaneidade perdida, da falta de preocupação com o possível amanhã ... tenho saudade de chorar quando sinto vontade sem me envergonhar disso. Dizer o que penso sem escolher as palavras adequadas ou o momento certo, ir embora e deixar ir sem me sentir só ... nunca estive sozinha na infância, jamais poderia, eu tinha um mundo inteiro ao meu redor, havia tantas coisas para se ver e tocar, havia tantos sonhos para se sonhar sem qualquer obrigação de realizar.


Parece bobagem pensar sobre isso, e realmente é ... mas há alguns anos eu passava horas construindo castelos e destruindo-os, a graça estava em recomeçar, em buscar novas alternativas. Já hoje, essa idéia parece assustadora, incabível e irresponsável ... uma atitude infantil ... e, provavelmente, a mais correta.


Quero amar como se ama aos cinco anos, quero odiar como se odeia aos cinco anos, quero ser verdadeira como só se é até aos cinco anos ... o que procuro é a felicidade infante que desaprendemos a sentir.

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