segunda-feira, 24 de março de 2008

Morte


Qual a única certeza humana? Ora essa é fácil, a morte. Todos nós temos cosciência disso, estamos cientes da finitude e da fragilidade que separa o corpo vivo da matéria morta ... o que me parece curioso é que, ainda assim, tratamos a morte como sombra indesejável da existência, somos educados à vida e não à morte, somos preparados ao incerto e não ao preciso ... no mínimo incoerente ...

Durante toda vida aprendemos a venerar o belo, a desejá-lo ... não estamos preparados para observar o rude, o feio, para encarar a deteorização da beleza que fomos condicionados a amar. Infelizmente, a morte não possui nosso padrão estetético ... ela pertuba nossa visão com cores desbotadas, com traços mal feitos e melodias estridentes ... é ela que apaga as luzes do teatro lotado e nos leva de volta a real solidão da existência.

A morte é a vizinha silenciosa que fingimos não notar ... subimos os muros para não vê-la, para que ela não seja pauta nos almoços de domingo, não queremos saber dela e rezamos para que, sendo assim, ela não se interesse por nós ... quanto ilusão ... um dia a vizinha discreta torna-se visita e ficamos atorduados por não saber recebê-la.

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